Aqui
O corpo a sucumbir
Nódoas de sofrimento
Trevas
Escuridão
Um olhar desfocado
Uma nuvem que passa
E fica
Que se deixa morrer
Que se abandona a si própria
Deixando cheio o vazio
Tenho razões para sentir esta raiva
O caminho que percorri
Armadilhou-se
A pedra que eu protegia
Rachou-me a cabeça
Deixou-me aqui
A pintar de vermelho este lago
Ergo o olhar e encontro-te
Tão distante
Naquela estrela apagada
E choro
Por não conseguir chegar-te
Por não conseguir dizer que te amo
Por não poder ser eu noutro corpo qualquer
E agora que os sóis se apagam
E agora que o infinito se aproxima
E agora que tenho a estrela na minha mão
Uma última luz corre para longe de mim
Cada vez mais longe
O barulho de uma explosão
Um resto de felicidade
Um sorriso morto nos lábios
Um sentimento imortal
Guardado naquela estrela
Que agora brilha

(Ilustração de Lvis)




